| Ter, 27 de Setembro de 2011 21:41
Acontece amanhã (28), na Escola de Teatro e Dança da UFPA, o segundo “Treinamento Psicofísico na Criação: demonstração prática de pesquisa”, evento organizado pelo Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísico de Atuantes (GITA) com o objetivo de expor as pesquisas realizadas pelo grupo.
“Chegamos à conclusão de que a nossa 'cozinha' criativa - a qual constitui, em verdade, uma pedagogia cênica dentre outras tantas - urgia ser mostrada a fim de que conquistas e percalços fossem socializados em interação realmente participativa no compartilhar de ingredientes comuns”, explica o coordenador do GITA, professor Augusto Cesário.
“Trata-se de uma rotina a ser emancipada pelo GITA como prática extensiva de nossas investigações no trato das artes marciais e meditativas asiáticas. O evento consiste em uma demonstração de procedimento metodológico inclusivo de parte da oficina e do laboratório cênico, fundamentados em treinamento psicofísico perene e voltados para a montagem de um texto dramático escrito.”, completa.
Segundo o professor, o evento é aberto para o público e o interessado pode acompanhar o evento toda última quarta-feira do mês, das 18 às 19h, na ETDUFPA. “ Incentivamos a quaisquer indivíduos a assistirem à demonstração e posicionarem-se como debatedores, em conversa informal e absolutamente livre para perguntas e opiniões diversificadas, sem amarras. O evento é gratuito e , de forma alguma, delimita qualquer tipo de 'experiência' em Artes Cênicas. Todos e todas são convidados e convivas na entrada franca e honesta, sem exceção”, afirma o professor.
O texto indutor do treinamento será Zé, lançado em 2003 pelo autor Fernando Marques. “Por texto indutor entendemos o mote para a montagem. Isto significa que, mesmo sem alterar palavra alguma deste, no caso, texto épico em versos rimados, sentimo-nos livres para deixar que nasça o gênero, estilo e poética de cena a partir do trabalho dos atuantes.”, esclarece Cesário. Poeta, professor universitário, dramaturgo, compositor musical e jornalista, Fernando Marques possui três obras teatrais publicadas, dentre elas, Zé, adaptação em verso do clássico Woyzeck, de George Büchner (1813 - 1837). “O trabalho de Marques nos é precioso por sua competente, primorosa e acurada visão de mundo. O texto, aos poucos, nos permite o desvelo de nossos segredos, de nós atuantes do GITA, em situação desejosa, quiçá, para o espectador também. A excelência de Fernando Marques está em sua absoluta modéstia. Estão ai os motivos da escolha de Zé”, afirma o professor.
Grupo de Investigações do Treinamento Psicofísico de Atuantes – GITA Atualmente, além de Cesário, o GITA é formado por mais 5 integrantes e recebe apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Compõe o grupo: os professores MsC Edson Fernando (vice-coordenador) ; Denis de Oliveira (doutorando em História), e os bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) Roseana Tuñas (graduanda de Teatro) e Gleice Sardinha (graduanda em artes visuais).
O grupo já soma 4 anos de atividades e pela segunda vez promove a demonstração de treinamento psicofísico. “ A ETDUFPA nos tem com carinho raro. Surgido oficialmente em 2007, o GITA agradece sempre a esta casa que nos acolhe e, decerto, incentiva nossos desvarios pedagógicos e criativos. Há um mês realizamos a primeira 'cozinha', abrindo nossas pesquisas para espectadores de dentro e fora da academia”, ressalta Cesário.
O professor assinala a importância dos estudos desenvolvidos pelo GITA na Escola de Teatro e Dança: “ A ETDUFPA, por meio do GITA, parece ser única na prática e estudo da arte marcial indiana kalarippayattu aplicada a atuações cênicas no Brasil.”
Cesário Augusto também destaca que o GITA não é um grupo de montagem de espetáculo e comenta: “A criação cênica é uma espiral metafórica onde se encontram outras fases de interesse, como a citada oficina e laboratório, além do treinamento ininterrupto. A apresentação da obra, chamada discutivelmente de espetáculo, rege-se enquanto consequência. Relevante? Sim. Imprescindível? Sim. Porquanto os integrantes do GITA treinam para apurar seu domínio orgânico em cena e abrirem canais, desatarem nós para o ato criativo. Absoluta e necessariamente este ato é revoltoso. Ainda assim, a obra sempiterna inacabada entra no ciclo de apresentações públicas consequentes a cada noite”. |