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domingo, 25 de março de 2012

Diário de Trabalho 012 - Por Edson Fernando

O ritmo das pesquisas propostas para o ano de 2012 continuam exigindo cada vez mais dos atuantes disciplina e empenho para superar cada novo desafio apresentado na sala de trabalho. A última semana foi intensa, em muitos sentidos, e o tempo, infelizmente, curto para compartilhar cada dia de trabalho; e por isso apresento uma sintese dos últimos três dias de trabalho ( 19-21 e 24.03) em um só diário. 

A ênfase dos treinamentos tem sido colocada cada vez mais na autonomia que cada atuante precisa ter com as formas codificadas que o GITA alicerça suas pesquisas. Por autonomia no treinamento entendo, não somente a memorização das sequencias de movimentos e exercícios praticados a cada sessão de trabalho, mas, fundamentalmente, como essas formas codificadas vão sendo in-corporadas e processadas psicofísicamente, respeitando a individualidade de cada atuante. Em outras palavras, trata-se de perceber e apropriar-se com rigor e precisaão de cada um dos princípios trabalhados no treino, ou seja, segundo Richard Nichols: O Desenvolvimento do foco (concentração); O "estar no momento", ou seja, o "aqui e agora";   A disposição de imagens; Foco de energia e economia nas ações e gestos;   Executar cada ação a seu tempo; Expandir os horizontes da auto-imagem; Desenvolvimento de um corpo flexível, controlado e equilibrado; Unificação da mente e do corpo; Apreciação e desenvolvimento da disciplina. 

Portanto, não se trata simplemente de fazer cada atuante decorar o treinamento, mas oferecer a cada um oportunidade para trabalhar suas dificuldades pessoais. Para tanto, tenho exigido que cada atuante - pelo menos uma vez nos últimos treinos - tente executar a sequencia do T'ai Chi e o Vannakkan sem ter a referencia de minha pessoa conduzindo a prática. Sem dúvida que as dificuldades são inúmeras, pelos pouco tempo de treinamento dos novos atuantes. No entanto, mesmo os mais antigos Wallace Horste e Rose Tunas - esta última acompanha o GITA a mais de três anos - enfrentaram muitas dificuldades. Apesar de pairar um certo tom de irritação na exigência que venho empreendendo, percebo também muito empenho, dedicação e avidez na tentativa de superar seus próprios limites, e isso é excitante e animador. 

Seguimos em  frente sem hesitação e sabedores da preciosidade oriunda de um rotina de treinamentos intensos. Encerro com uma passagem do mestre Eugênio Barba:

"No fundo, o exercício é como uma porta do esqui alpino, através da qual o ator faz passar sua atividade física, disciplnando-a. Em nosso teatro, o treinamento sempre consistiu num choque entre disciplina - a forma fixa do exercício - e a superação dessa forma fixa, do estereótipo que o exercício é. A motivação para esta superação é individual, diferente para cada ator. É essa motivação pessoal que decide sobre o sentido do treinamento. (...)
O valor essencial do treinamento consiste nisto: autodisciplina cotidiana, personalização do trabalho, demonstração de que se pode mudar, estímulo e efeito sobre os companheiros e sobre o ambiente  " (Teatro Solidão, Ofício, Revolta - 2010, p. 77).
            

domingo, 18 de março de 2012

Diário de Trabalho 011 - Por Edson Fernando

O Treinamento do último sábado (17) continuou desenvolvendo aplicativos voltados ao aprimoramento do desempenho dos novos pesquisadores do GITA. Além de investir um pouco mais na prática do Kalarippayattu - momento de fixar a sequencia dos movimentos - o dia de trabalho contou com um aplicativo utilizando pela primeira vez - no ano de 2012 - a leitura na integra do texto dramático Zé. No entanto, como pesquisa ainda se encontra na etapa das oficinas a leitura foi conduzida a partir de vários comandos propostos aos pesquisadores.Os comandos que cada pesdquisador deveria seguir foram os seguintes: 

1 - Cada atuante só pode ler uma fala - completa - por vez de cada personagem; 
2 - Não se combina quem irá ler a fala seguinte;
3 - Dois atuantes não podem começar a ler ao mesmo tempo;
4 - Uma palma determina que dois atunates devem ficar em pé e um sentado;
5 - Duas palmas determinam que todos devem ficar sentados;
6 - Três palmas determinam que todos devem ficar em pé.

Agora confiram o desenvolvimento do aplicativo no vídeo abaixo:


                                          

Como podemos observar pelo vídeo, o aplicativo exige muito o estado de prontidão, controle de anciedade  e, sobretudo, de raciocínio rápido alguns dos elementos fundamentais para um bom atuante.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Diário de Trabalho 010 - Por Edson Fernando

Após a conclusão da composição da Partitura Neutra Nº 02 e tendo decorridos exatos dois meses de pesquisa com os novos membros do GITA os trabalhos  passaram a serem encaminhados cada vez com maior rigor e disciplina. Os seqüencias codificadas de movimentos do T”ai Chi e do Kalarippayattu exigem segurança e memorização para uma boa execução e para que todos possam apropriar-se delas e desenvolve-las com autonomia, no treino desta última quarta (14.03) as seqüencias foram treinadas por duas vezes cada – isso aplicou-se ao Kalarippayattu: a primeira vez sendo conduzida por mim (Prof. Edson Fernando) e em seguida treinada somente com os novatos. As dificuldades no desempenho das seqüências ainda são inúmeras, mas o encaminhamento coloca todos diante do desafio de apreenderem o treino e desempenharem sem a imagem referencial de alguém conduzindo. O vídeo abaixo mostra a seqüência do Meippayattu:       



Outro desafio enfrentado neste último dia de trabalho foi a execusão da Partitura Neutra Nº 02 sem nenhum tipo de movimentação exterior: o comando exigia de cada pesquisador executar a Partitura internamento, conectado a ela mentalmente, mas sem nenhum tipo de movimento, gesto ou ação. Somado a este comando, cada pesquisador deveria oralizar a letra da Canção de Maria, preservando a qualidade e o rigor técnico atingido anteriromente, em outras palavras, cada pesquisador oraliza o texto como se estivesse executando na prática a partitura, mas sem desenvolvê-la. Confira este instigante exercício no vídeo abaixo:

  

segunda-feira, 12 de março de 2012

Diário de Trabalho 009 – Por Edson Fernando

A investigação na etapa das oficinas segue em ritmo acelerado. Depois de aproximadamente dois meses de trabalho, e de treinamentos ininterruptos, os novos participantes, e os remanescentes, finalizaram hoje a composição da segunda partitura neutra. A dinâmica de trabalho mudou um pouco para que pudéssemos dispor de um pouco mais de tempo para trabalhar com o indutor da montagem – Texto dramático Zé. Assim, a sessão de treinamento psicofísico contará sempre com a execução de duas práticas corporais investigadas pelo grupo – hoje treinamos com o Hatha Yoga e com o T’ai Chi – para em seguida articular aplicativos cênicos direta ou indiretamente relacionados ao indutor da montagem. 



Finalizamos hoje a composição da Partitura Neutra Nº 02 e o aplicativo cênico exigiu, dentre outras coisas a sua execução precisa; outro elemento que compôs o aplicativo cênico foi a letra da Canção de Maria – parte integrante da obra Zé. Para desempenho no jogo proposto os atuantes precisaram se manter bastante atentos aos comandos estabelecidos, quais sejam: os homens oralizavam o texto correspondente a primeira, terceira e quinta parte da letra da canção; as mulheres oralizavam o texto correspondente a segunda, quarta e sexta parte da canção; quatro bancos estão dispostos formando um retângulo – um atuante em cada banco e um quinto atuante encontra-se no centro do retângulo em pé; o atuante do centro deve sempre executar sua Partitura Neutra Nº 02; no toque de uma palma do condutor do jogo todos devem trocar de banco e o atuante do centro deve imediatamente parar de executar sua partitura e tentar sentar em um dos bancos. Confira o aplicativo no vídeo a seguir:


 
Pudemos conferir por meio do jogo proposto a exigência de muitos fundamentos trabalhados no treinamento, tais como: Estado de Prontidão, Controle de Ansiedade – estabelecimento de cada ação no seu devido tempo, Controle da respiração, Trabalho com Foco Especifico e Periférico, Precisão e economia nos gestos e ações, voz e corpo integrados psicofisicamente.   

domingo, 11 de março de 2012

Diário de Trabalho - 008 por Edson Fernando

Após a realização da Oficina de Treinamento durante a Semana Acadêmica 2012 promovida pela ETDUFPA, o GITA voltou a rotina de treinamentos e processo de pesquisa para a montagem prevista para ocorrer no final deste ano. Assim, apos o treino matricial, demos continuidade ao trabalho de composição e finalização da Partitura Neutra Nº 02, e também iniciamos o contato diretamente com o indutor da montagem, isto é, o texto dramático de Fernando Marques. O primeiro contato da obra em sala de trabalho se deu pelo livre exercício de cantarolar a Canção de Maria, uma das composições musicais que constam na obra de Fernando. O vídeo a seguir mostra esse primeiro contato com a canção.

  

Oficina de Treinamento - 3º dia

O Grupo de Investigação do Treinamento Psicofísico do Atuante encerrou sua participação na Semana Acadêmica 2012 da ETDUFPA com o 3º e último dia da Oficina de Treinamento. Na ocasião o grupo coordenado pelo Prof. Dr. Cesário Augusto mostrou alguns exercícios alicerçados na prática corporal do Kalarippayattu - arte marcial indiana de Querela do Sul. 

Ao longo dos três dias de trabalho o grupo  partilhou um pouco de seus procedimentos metodológicos de pesquisa oferecendo oportunidade, principalmente aos calouros da Licenciatura em Teatro e em Dança, assim como aos novos alunos dos Cursos Técnicos em Formação de Ator e Formação de Interprete Criador em Dança, de conhecer na prática, como se articula o treinamneto psicofísico com a atuação cênica. O vídeo a seguir mostra um dos aplicativos cênicos exercítados durante a oficina, conduzidos pelo Prof. Dr. Cesário Augusto.


Encerrada esta atividade, aberta a comunidade acadêmica, o GITA volta seus esforços ao plano de trabalho de 2012 que prevê para o final do ano uma nova montagem teatral, cujo indutor de pesquisa é o texto dramático Zé de autoria de Fernando Marques.  

quinta-feira, 8 de março de 2012

GITA na semana Acadêmica - 2º Dia

O segundo dia da Oficina de Treinamento ofertada pelo GITA contou com a participação da Profª Colaboradora Eneida Fadell do Instituto de Pesquisa e Arte Kung Fu Vida Longa. Na ocasião a professora convidada ministrou a prática do Kung Fu, compatilhando seus conhecimentos sobre esta prática milenar chinesa. Antes, porém, tivemos o privilégio de entrevistarmos a Profª Eneida que nos contou um pouco sobre o termo Kung Fu e sobre o princípo filosófico desta arte marcial. Confira no vídeo abaixo:





Logo em seguida iniciamos as atividades, tendo a condução da Profª Eneida. Uma parte dos exercícios desenvolvidos pode ser conferida no vídeo abaixo: 




A professora Eneida encerrou sua participação na oficina de treinamento fazendo uma demonstração do Kung Fu praticado com arma. 

Encerrando a oficina, coube ao Prof. Edson Fernando articular a pratica do Kung Fu com os princípios relevantes para atuação cênica.

quarta-feira, 7 de março de 2012

GITA na semana Acadêmica 2012 - 1º Dia

Pelo segundo ano consecutivo o GITA promove por ocasião da Semana Acadêmica da ETDUFPA uma Oficina de Treinamento visando compartilhar com a comunidade acadêmica da UFPA suas investigações e procedimentos metodológicos. Coordenada pelos Professores Cesário Augusto e Edson Fernando, a oficina desenvolveu inicialmente uma sessão de Hatha Yoga  e em seguida exercícios de aplicativos cênicos onde os participantes puderam exercitar as dificuldades inerentes aos atuantes que desempenham a linguagem teatral. A seguir um pequeno vídeo com parte do treinamento realizado com os participantes.